
Como é que se define o amor? Como podemos saber se o que sentimos por esta ou aquela pessoa é mesmo amor e não qualquer outro estado intermédio ou subproduto do sentimento em questão?
O amor está tão na moda que as pessoas o procuram e desjam como um bem de primeira necessidade. O amor é a água do coração e de cada vez que a vida nos obriga a atravessar desertos amorosos, enchemos os cantis de distracções, alguns destrutivos, outros mais construtivos, até que um oásis de afecto se desenha no horizonte. É claro que o oásis pode ser uma miragem, mas isso só saberemos quando lá chegarmos.
Há oásis que parecem enormes e se revelam exíguos, outros que pensamos serem desinteressantes e se transformam em lugares bestiais, outros são mais confortaveis.
As boas histórias são feitas de obstáculos da mesma forma que o amor também se constrói na adversidade? Desconfio sempre das histórias de amor em que tudo é muito dificil.
O amor é um mistério insondável, mas tem os seus sinais inequívocos, e na verdade não existe o amor per si, existem provas de amor.
Quem não o mostra é porque não o tem,e, se não o tem, não vale a pena fazer omoletas sem ovos.
As relações amorosas que começam com grandes dificuldades, porque ele nem sempre está disponivel ou ela é frequentemente assaltada de dúvidas, não medram; ou a coisa flui ou emperra e, como diz o ditado, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. O que acontece é que às vezes estamos tão carentes que interpretamos sinais de desamor como prenúncio de amor dando ao outro o beneficio da dúvida.
No amor não há dúvidas como diz uma amiga minha.
Quando se gosta de alguém, ouvimos o telefone, a campaínha da porta.
Quando se gosta de alguém vamos para o local do acidente, ficamos ao lado da cama do hospital.
Um dos sinais inequivocos do amor é exactamente essa terceira entidade, o NÓS, a consciência de que o EU e o OUTRO formam algo que nos diferencia. E o tempo que temos na vida para nós.