quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Propriedade comutativa

Desde pequenos, nos primeiros tempos de escola, aprendemos que a Adição e a Multiplicação gozam da Propriedade Comutativa:
2 + 3 = 3 + 2
5 * 4 = 4 * 5

Quem me conhece, sabe que uso e abuso dos ditados populares. E, claro, tinha que existir um que cai que nem uma luva neste tema: "Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti". No entanto, e nunca é demais referir, que nem de perto nem de longe, quer isto dizer "faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti".

A vida seria muito mais simples se as relações humanas também funcionassem da mesma forma, mas de facto, infelizmente isso não acontece.

Um erro sistemático que muita gente comete (e eu devo estar no Top 10 da lista) é projectar nos outros a nossa forma de lidar com as pessoas, com as situações, com o mundo e com o ambiente que nos rodeia. Particularmente no nosso relacionamento com os outros, temos a tendência de tratar as outras pessoas como gostariamos de ser tratados.

Resultado: Big mistake!!! Nem todos reagimos da mesma forma aos mesmos estímulos. Nem todos gostamos das mesmas coisas. Nem todos temos os mesmos objectivos nem queremos as mesmas coisas.
Ao lidarmos com os outros como gostariamos que lidassem connosco, estamos a projectar nessas pessoas algo que elas não são: sejam filhos, relacionamentos amorosos (maridos e mulheres, namorados e namoradas), amigos, colegas de trabalho, familiares, ou apenas meros conhecidos.

Devemos então tratar os outros como eles querem ou gostariam de ser tratados e não como NÓS gostamos que NOS tratem?
Ora aqui reside outra variável dessa equação tão complexa como são os relacionamentos humanos. Tratar os outros da forma como querem ser tratados, implica um processo de aprendizagem e conhecimento de cada um à sua maneira.

Sabendo que a Propriedade Comutativa não se aplica, tratar os outros como eles querem e não como gostariamos que nos tratassem, pode ser algo de perfeitamente natural e fácil, ou uma experiência difícil e penosa por não ser de todo semelhante à nossa maneira de ser. Fazê-lo terá de ser em esforço, alterando a nossa maneira de ser. Porém, se alteramos a nossa maneira de ser, deixamos de ser quem somos, e os outros não nos reconhecerão como quando nos conheceram, o que pode também levar à alteração da forma como nos tratam.

Do meu ponto de vista, a solução só pode passar por um único factor: sermos genuínos e fieis a nós mesmos! Acima de tudo, o importante é sermos aceites pela nossa própria maneira de ser, de estar, de pensar e de agir. Digo muitas vezes que "se não gostam, ponham para o lado e comam só as batatinhas". Se não gostam de nós pelo que somos, é porque não há suficientes pontos comuns para que nos continuemos a dar.

Nem todos temos de gostar e nos dar bem com toda a gente... mas, se todos gostassem do azul, que seria do amarelo?... assim o mundo é mais colorido :))